Páginas

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Esfriando o colchão


Quando o sorriso se fecha, posso sentir
Ainda posso ouvir a voz que grita dentro de ti
Implorando por um abraço de alguém que está aqui
Ao seu lado ou não, a sua alma esfriando o colchão
Necessito perdão
Mesmo que o erro não exista
Ainda que eu insista que sou o problema
Ainda que não exista um maior dilema
Do que aquele sempre presente em meus versos
Do que aquele que fere os amantes mais confessos
Peço-te perdão, não entendo estes sentimentos
Peço-te paciência, pois ainda estou aprendendo

domingo, 9 de abril de 2017

Hoje a lua não apareceu

Está chovendo tanto que não consigo enxergar a lua. Ela deve estar escondida, assustada, se sentindo impotente perto que toda essa loucura que está acontecendo no céu. Ela deve estar se perguntando por que a chuva, as nuvens e os ventos de repente se tornaram mais importantes. Por que eles não a chamaram pra brincadeira e por que ela não tem forças pra aparecer, pra tentar falar com eles. Ela deve estar se sentindo sozinha, angustiada, e principalmente, indesejada. Pensando em como tudo isso aconteceu, como seus amigos sumiram, por que não havia ninguém ao seu lado. Um dia ela já ouviu palavras boitas, teve uma melhor amiga, foi para festas, se sentiu amada, se sentiu parte de um grupo, teve pessoas pedindo conselhos, abraços apertados, filmes com chocolate e risadas. Agora a única coisa que ela vê, sente e abraça é o vazio do universo. 

Talvez seja difícil para nós entendermos. São poucos que sentem essa solidão. E quando sentem, é por um dia. Mas e quando parece que vai ser por toda a eternidade? Tenho certeza que seu conselho seria que ela fizesse novas amizades, procurasse seus antigos amigos, fosse a uma balada ou um café. Ela quer fazer isso, ela quer se desprender dessa corrente que a aperta e sufoca, mas só de pensar em tentar, a corrente a espreme um pouquinho mais. Ela já tentou, mandou mensagens, fez ligações, foi simpática, mostrou interesse. Mas ninguém nota, só respondem que não vai rolar, só dizem que sentem saudade, que fica pra próxima. Ela falhou essa noite, com a chuva, as nuvens e os ventos. Ela falhará inúmeras vezes, com o sol, as estrelas e os cometas. Ela só deseja que na próxima noite de lua cheia, ninguém a deixe se esconder. 

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Um abraço em 2016


via GIPHY

Todo fim de ano é a mesma história. Acho graça nas pessoas reclamando, pedindo que o próximo ano venha logo, como se esse fosse o segredo para uma nova vida, o passe de mágica para tudo melhorar. Entenda, também vejo o grande fechamento de um ciclo, a inspiração e força espiritual que essa virada traz. Eu sinto a névoa de felicidade que todos aspiram por ver uma chance de recomeçar. Este é com certeza o momento certo de jogarmos fora tudo aquilo que já andava nos fazendo mal a algum tempo e não encontrávamos coragem. É o empurrão final que precisamos pra nos libertar. Porém, veja bem, ao em vez de pisarmos e cuspirmos no ano que passou, vamos abraça-lo.

O ano de 2016 carregou muitos desastres e situações em que nos chocaram e entristeceram. Mas eu escolhi ama-lo. Não só porque foi um ano extremamente positivo e transformador pra mim, mas porque acho que essa sim é a verdadeira chave para abrirmos a porta de um novo ciclo. Apenas progredimos quando aceitamos, entendemos e abraçamos o que nos aconteceu, seja algo bom ou ruim.

Em nenhum outro ano me vi tão forte. Simplesmente porque não precisei. Extrai de mim tudo aquilo que eu não sabia existir. Confesso que me senti esgotada e frágil em muitos momentos, mas foram estes que me fizeram crescer. Confesso que quase desisti, larguei tudo e gritei aos ventos que a vida estava um inferno e eu não aguentaria mais. Mas eu aguentei, e mais do que isso, superei. Me afastei de pessoas tóxicas e reforcei laços maravilhosos. Vivi um pouco a tal vida adulta e enxerguei com olhos de criança. Senti toda a intensidade do ser.

Acredito estar pronta para 2017. Agarrada a prosperidade que a palavra "agradecer" nos proporciona. Ancorada nos mistérios da profundidade de um mar ainda não explorado. Preenchida pela força de uma busca constante por evolução e tranquilidade. Banhada com o brilho que um espirito blindado emana. Animada, exatamente como quem acredita na beleza dos novos ciclos deveria estar. 

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Amor de flor

Não sei que horas eram, não pensei em olhar, imaginei que ainda fosse madrugada. Estava tão escuro que eu mal conseguia enxergar, mesmo que meus olhos já estivem se acostumado a falta de luz, revirei na cama e lhe abracei. Seu corpo estava tão quente que eu precisei me destapar. Mas largar-lhe, isso eu não faria. Ele retribui o abraço me aninhando em seu peito, beijou o topo da minha cabeça e voltou a dormir. Eu, anestesiada por uma onde repentina de felicidade, não consegui voltar a dormir. Queria viver mil anos naquele momento, simples, mas profundo.

Os dias já foram nublados por aqui, tempestivos. Já doeu pra caralho. Já me alimentei de migalhas achando ser o suficiente pra me satisfazer. Já me enfiei em histórias sabendo que acabariam mal, só pela vontade vivê-las. Já sorri felicidade enquanto meu olhos berravam tristeza. Colecionei mergulhos onde a água dava no calcanhar. Aceitei atrasos, perdidos, grosserias. Já me senti forte usando armadura, sem saber o quão leve ficaria sem ela. Já me senti fraca por sentir demais. E depois de algumas cervejas, já falei em desistir do amor, jogar tudo pro alto. Sem saber me amar, já descuidei de mim. Já me vi como pedaços que precisavam ser juntados por alguém. Mas, ainda bem, já descobri que a cura pra toda essa dor é ser feliz sozinha, é gostar da própria companhia, do próprio corpo, da própria alma. Assim, comecei a aceitar apenas aqueles que me faziam bem, traziam amor de mais, jamais de menos.

Começou a amanhecer, a luz do sol entrava pelas frestas da janela e se desenhava no teto do quarto. Me acomodei novamente entre seus braços, de forma que eu enxergasse seu rosto. Seu semblante tranquilo me faz sorrir. Quero ficar ao teu lado. Não por carência, não por necessidade, jamais com sentimento de posse. Mas sim porque gosto de tua companhia, do teu cheiro, de tua risada estranha. Gosto das nossas conversas, nossa vontade de conhecer o mundo, nossa maneira de enxergar e nos expressar. Nos conhecemos em um momento ruim, vivemos momentos bons, fizemos do tempo nosso aliado, professor. Soubemos esperar, detectar o momento certo. Aquele onde nos transbordamos.





quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Aprendendo a amar

Amar é um dos meus passatempos preferidos. E isso já se tornou rotina, notícia velha, daquelas que a gente passa reto, nem lê. Eu tento ficar quietinha, me entreter com o trabalho, um filme, uma música. Mas não adianta, quando percebo já estou suspirando, cheia de pensamentos que trazem um gostinho bom a boca, que fazem cachorrinhos pularem e estremessem o corpo de qualquer um da cabeça aos pés. Por todos os lados vejo fagulhas de esperança, gestos carinhosos e palavras cheias de sentimento.

O amor é núcleo do universo para mim. É o principal nutriente para se plantar o bem. E quando esse jardim está florido, não consigo me conter. Ando com a felicidade estampada no rosto, falante e tranquila. Cheia de motivações, querendo que todo o mundo acredite, que todo o mundo sinta essa atmosfera de paz. Depois que aprendi a senti-la, não ouvi mais a solidão bater em minha porta.

Ele já foi meu inimigo, já me fez chorar, sentir raiva e querer sumir. Mas simplesmente porque eu não entendia sua essência, ainda não havia conhecido a palavra solitude, não havia aprendido a diferença entre amar e se apegar. Por vezes nos deixamos levar pela vontade de se apropriar das coisas, das pessoas, esquecemos de apreciar, observar de longe, deixar voar.

Todo esse apego, essa apropriação, é o que nos frustra. Afinal, nada é nosso nessa vida, a não ser o que pensamos e sentimos. O resto, é do mundo. Por isso transformei o amor em onda, em carinho, em algo inatingível. Em vez de usá-lo para suprir necessidades biológicas, carência e vazios. Uso-o para sorrir e deixar a vida mais leve.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Ontem, vulgo sempre


Ontem, quando te abracei, só conseguia pensar no quanto gostaria de permanecer. No quanto teu corpo me aquece e tua presença traz paz. Pensava no teu beijo gelado de cerveja, aquele que me arrepia e quando tu põe a mão no meu cabelo fazendo minhas pernas amolecerem. Fiquei com aquela cara de boba apaixonada, te admirando, pedindo aos céus que teu sorriso fosse pra sempre meu. 

Ontem, quando te chamei pra beber um vinho, pensava em ouvir tuas histórias, aquelas sem graça, mas que me fazem rir pelo teu jeito de contar. Queria saber mais da tua vida, mais do teu dia, mais das tuas estranhezas. Talvez eu ficasse corada, talvez não conseguisse esconder, talvez até me declarasse. Afinal, tu sabe que vinho me deixa ainda mais maluca, ainda mais sensível, ainda mais apaixonada. Se é que é possível.

Ontem, quado disse que iria embora, queria que tu me convencesse de ficar, trancasse a porta, engolisse a chave e, com jeitinho, me puxasse pelos cabelos. Pensei que ainda dava tempo de ver um filme, daqueles bem longos e comer uma pipoca. Ah!Já te contei que as de microondas só ficas boas na tua companhia?

Ontem, quando te pedi uma massagem, estava morrendo de saudade do teu toque. Precisava sentir teus dedos percorrendo minhas costas, assim como preciso de ar para sobreviver. Fingi que não existia um mundo lá fora e que teu cobertor era refugio em tempos de guerra. Tu riu da minha concentração contando tuas pintinhas, são tantas, espalhadas, confusas e lindas. Pensei que não seria ruim me perder ali, mas que também seria bom demais se me encontrasse. Então, de vez em quando me perco, outras vezes me acho. Mas sempre em ti. 

terça-feira, 22 de março de 2016

Acordei meio escorpiana

Tenho um pé em libra, outro, em aquário. Mas hoje acordei com meu sol brilhando intensamente. Senti vontade de conversar com meus demônios, gastar toda minha energia para senti-los, liberta-los. Levantei da cama e meus olhos chamaram minha atenção no espelho, inchados de sono, fixos no horizonte, mas magnéticos, um portal mágico que todo escorpiano esconde. Estava com os impulsos apertados, apurados, jogando-me de um lado para o outro sem tempo de pensar, de planejar o próximo passo.

Mochila preta nas costas, roupa monocromática. Postura de quem pouco fala e mais escuta. De quem balança a cabeça e observa, consegue captar o barulho mais distante, e ao mesmo tempo, teu gesto mais sutil. Expressão de quem tenta equilibrar as emoções, mas só as torna mais desordenadas. Se é pra encher o copo de cerveja, que seja no mínimo dez vezes. Se é pra trabalhar, que seja até as pálpebras tremerem, para que depois o descanso seja tão bom quanto o orgulho de fazer algo bem feito, com vontade. Visceral e impetuosa.

Sozinha no quarto com pouca luz, vejo-me em paz. Cheia de vontades a serem mortas. Pensamentos a serem alinhados. Borboletas falsas na barriga. Alimento minha autodescoberta, tentando decifrar esse ser, que por vezes nem eu entendo. E se bater o desejo, é provável que me declare antes da lua desaparecer. Que caia, desmorone. Que me coloque na posição de exagerada, rainha dos dramas.

Quem dera não fosse tão encorajada, tão "aqui e agora". Mesmo com a melhor das intenções, às vezes atropelo momentos, pulo fases, assusto os que me rodeiam com minha urgência. Tanta fome que quase engulo a vida,  a estrada. Se precisar trocar a pauta, não tem problema. Toda uma euforia que facilmente se acaba e recomeça. Surge dos picotes de papel, uma folha novinha.

Mas ruim mesmo, deve ser para aqueles que perdem aquele segundo de tesão, que não choram ao ver uma propagando bonita na tv, que ficam calculando os caminhos, não se permitem alternar rotas, que perdem aquele momento perfeito para dizer "eu te amo" sem que pareça clichê ou falso, que torcem o nariz e não experimentam aquela comida feia que pode ser deliciosa, que perdem a oportunidade de ser feliz "aqui e agora".



sábado, 5 de março de 2016

Pequenos diabos

Fiquei observando-a enquanto falava, seus gestos delicados, sua risada alegre, seus olhos meigos. Ela parecia não fazer ideia do que dizia, incongruente e surreal, porém conseguia prender minha atenção. A música de fundo estava perfeita para a ocasião e realçava sua beleza calma e natural. A lua estava escondida no céu, mas não me importei, seu sorriso bastava. Os ponteiros do relógio corriam rápido demais enquanto esperávamos o sol, mas houve tempo suficiente para que eu me encantasse.

Ela fica facilmente entediada, tem crises de autoestima, geralmente se atrasa, mete os pés pelas mão, se joga e não sente medo do próximo passo. Ela prefere quebrar a cara a ver suas páginas vazias, sem aventuras malucas. E que me desculpem as santificadas cheias de boas maneiras, mas são dessas malucas que eu gosto. Alguém que menos julgue minhas sandices e mais acompanhe meus passos, pequenos diabos enviados à Terra encarregados de me enlouquecer de paixão.

Nada contra vocês mocinhas, mas como iriam entender meus desejos que queimam antes mesmo que eu consiga fazer algo para apaga-los? Em que ápice de loucura vocês iriam rir das minhas piadas sem graça e me enxergar com os olhos de quem corre na chuva e não fica esperando passar. Seria apenas mais uma daquelas tentativas frustadas de romance, que não pegam embalo, acabam cedo demais por não estremecer.

Sempre pertencerei a esses seres mágicos, iluminadores de alma, doidos de pedra. Seres que sabem lidar com meu lado mais obscuro e saber extrair o mais colorido. Brincam de seduzir e não reclamam da balada a noite inteira. E talvez tudo isso nem seja pré-requisito para os primeiros encontros. Mas é a seleção natural a longo prazo. Prova eliminatória para ganhar o troféu de bruxa. Fatias de loucura que sairão de nossas beiradas. E ela ganhou.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Desencontros que levam a encontros

Por tantas vezes dividi a cama com aqueles que não tinham acesso a minha alma. Só sabiam tirar-me os panos, mais nada. Nem se quer tinham curiosidade de saber o que estava acontecendo ali dentro, na minha cabeça. Eram momentos bons, mas superficiais. Percebi pelo meu sono ao lado daqueles corpos, era agitado. Acreditei que fosse culpa do tempo, talvez logo o interesse surgisse. Afinal, os deuses tem pena o suficiente de nós, seres carentes, para que esses encontros fossem uma casualidade, não significassem nada. É que quando me aperta os impulsos, eu vou. E sempre queremos achar um por quê, uma justificativa para nossos atos. A minha era a busca por alguém que enxergasse minha essência, nem que pra isso eu tivesse que me sujeitar a espera.

Eu estava certa, aqueles olhares retribuídos e conversas ao pé da cama não foram em vão. Serviram para que eu reconhece aquele que me abraça a alma. Aquele que me olha nos olhos e não vê apenas um vazio. Aquele com quem posso ser espontânea, não preciso segurar as rédeas. Para que eu soubesse aproveitar o prazer de um sono tranquilo, mesmo que sentindo a pele do outro. Para que eu notasse o jardim florido que pode crescer em mim.

A tendencia é que eu esconda qualquer afeto a sete chaves. Mas não dessa vez. Me sinto pronta para amar cada uma de suas piadas sem graça, e morrer de rir daquelas que nem tu te seguras. Viajar contigo em tuas reflexões que não fazem sentido, mas que eu entendo. Acompanhar teu ritmo interminável de assuntos, amar as trocas repentinas de tópicos. Acalmar tua ansiedade. Curtir tua preguiça. Ser empática. Absorver e novamente amar tuas histórias.

Me sinto pronta, pelo simples fato de que não preciso me aprontar, não preciso me esforçar. É natural. Talvez sempre exista a distância entre nós, mas também, a conexão. Tu sabes extrair o melhor de mim, sem que precises te mexer ou falar, apenas com teu olhar. Graças a ti, sei que não vou morrer sem saber como é ferver de paixão. Contigo, meu corpo não é a casa da minha alma, mas sim a própria. Meus olhos não são janelas, são história. Meu chorinho de angustia por estar chovendo se tornou vontade de se molhar. Ainda não entendi como, mas tu aguentou a maré de surtos que a minha condição maleável traz junto ao brilho de ser incansável.


sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Dois polos

A fragilidade vem se alastrando em mim como uma doença. Minha imunidade contra ilusões está tão baixa que não importa se o que me acompanha é a extrema felicidade, calmaria, ou a profunda tristeza. Exposta aos momentos de borbulha, aos exageros da falta de razão. Cada pequeno prazer se torna jarra transbordante e minuscula tristeza se torna nuvem negra tempestuosa, rio de dores acumuladas querendo correr ao mesmo tempo. Achar um abraço o melhor do mundo; um estresse, motivo de jogar tudo para o alto.

Foi numa noite, qual o vento era gelado e a lua estava cheia, esse vírus se instalou em mim. Minhas bochechas estavam coradas do vinho e meu sorriso era largo, conversava e gargalhava. Um pontada me avisou, contaminada. Um torpor repentino me fez pender para o lado, cabeça zonza pelo emaranhado de imagens e sentimentos, álbum daquilo que se quer viver ou, quem sabe, esteja por vir. Não houve sintomas iniciais, veio como um tapa, inesperado e forte. O casaco pesado de lã esquentou ainda mais e não consegui prestar atenção no que falavam pra mim. Aquela onda de agonia de quem chuta o cobertor e só se acalma ao sentir o corpo do outro. 

Dormir, às vezes é aconchego, outras, tentativa de fuga. Entre um sonho e outro que mostra as verdades reprimidas, estoura a bolha de proteção que criei, me leva ao paraíso e não raramente ao inferno. O apetite, ápice de alegria, mistura de sabores que carregam a beleza do mundo. O chocolate, templo sagrado, meditação espontânea. A solidão, professora, às vezes megera, às vezes melhor amiga. A companhia, às vezes falta, outras transborda. De guarda baixa, basta um descuido pra me entregar. Às vezes tão leve que nem me sinto, outras tão pesada que nem me aguento.

E assim vai, de fase em fase, de extremo a extremo, como outros vírus. Inconstante. Mutável. Quieta, ou tagarela. Sofro e me alimento com a mesma intensidade, mas nem sempre da mesma pauta. Disseram que o remédio é o controle, algo que pouco tenho. Disseram que é preciso equilíbrio, mas este só quero para limpar meu céu. As delicias, deixe que elas fiquem assim, exageradas, sem fim. A cura para esse desgraçado do amor é só mais amor.



sábado, 12 de dezembro de 2015

Ocupada

Hoje acordei e vi uma mensagem tua, dizendo que estava com saudade, senti uma preguiça imensa de responder, revirei os olhos aborrecida e continuei meu dia como se não tivesse visto nada. O que será que ele quer agora? Ainda não se cansou desse brinquedo velho e surrado? Eu cansei. Tu insiste, me liga. Uma, duas, cinco vezes. Eu não atendo em nenhuma e nem pretendo atender. Deixo o celular longe, tocando, me transmitindo o quão indignado tu estás por eu não te dar atenção. Pensavas que brinquedo não tinha vida própria, não é? E por fim, durmo com um sorriso estampado no rosto, feliz por ter atropelado essa fase torta e incerta.

Quem sabe agora tu entendas minha aflição enquanto esperava tu vir falar comigo, só pra gente ter aquelas conversas boas e descontraídas, pra deixar meu dia mais leve. Tu tinha esse poder sobre mim, me deixar tranquila, sorridente. O problema era quando tu sumia, fugia, te escondia, e eu ficava feito garimpeiro em mina de ouro. Tu dizia estar ocupado, atolado, com os amigos, não tinha muito tempo pra mim. Eu estava sempre ocupada também, mas quando tu pedia eu dava um jeito, pra ti eu me desocupava, jogava tudo pra amanhã. Mas, pra amanhã, ficava mesmo era minha vontade de te ver.

Abri tua mensagem de novo e me senti ainda mais aborrecida. Olhei as cinco ligações perdidas, ri. Antes era eu quem te buscava desesperada. Te escrevi centenas de declarações de amor, e mesmo que nunca lidas por ninguém, todos sabiam que eu era louca por ti, estava estampado na minha cara, no jeito que te olhava. Acessava tuas redes sociais buscando alguma pista, mas só encontrava baboseiras ou alguma coisa que me deixava péssima. Te procurei em bares, ruas, redes. A verdade é que nunca nos achamos, um no outro, não reciprocamente.

Nos perdemos em outras bocas, outros bares, outras ruas. Estive descompensada tempo suficiente pra te esquecer, pra me livrar da bagunça que tu deixou em mim e acumular outras. Pra lembrar quem eu era antes de te conhecer, antes de sofrer por um carinho não retribuído. Eu era mais feliz, exatamente como estou agora, recuperada. Devolvi-me o tempo que desperdicei, cada minuto que joguei fora por ti. E é por isso que não te atendo. Não é vingança, nem proposital para que tu sintas o que senti. Só não quero reviver esse drama. Ando ocupada demais com a minha felicidade.



quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Despi tua alma

Queria saber de onde vem esse arrepio que sinto quando nos tocamos, essa vontade de avançar na tua boca, fazer de nós um só. Esse aconchego nos teus braços, lugar tranquilo e fervoroso. Vem cá, me conta, qual o teu truque? Explica por que estas aqui do meu lado e sussurra que não queres sair, diz que eu não estou louca, que essa sintonia entre nós realmente existe e que estas gostando disso tudo tanto quanto eu. Te despi por inteiro, corpo e alma. Essa dança não vai te esperar a vida inteira, entra logo. Vê se não julga minha melancolia nas madrugas de tpm, e não repreende minha alegria nas de loucura. Afaga meu espirito. Mas respeita meu casulo. Acarinha minhas costas, bem de leve, quase sem encostar.

Desliza tua barba no meu pescoço, segura firme na minha nuca, me faz vibrar com essa intensidade que só tu consegues me transmitir, Diz que teu coração acelera como o meu, que te sentes nervoso toda vez que nos vemos, mas que aos poucos eu te inundo com a minha paz. Diz que o que faltava em ti, era eu. Sim, eu quero ouvir. Eu quero ter a certeza de que vale a pena me arriscar, que não vou cair em algum buraco vazio, que não estou bancando a Alice.

Coloca as cartas na mesa. Eu não gosto de joguinhos. Chega mais e causa um terremoto dentro de mim. Mas cuidado pra não me balançar demais e me deixar cair. Da aquele sorriso de canto que me faz cair de amores, me olha nos olhos, pega minha mão. Não tenta controlar essa vontade de correr até mim, até porque a minha eu não controlo não. Me abraça com força, conta sobre os mil ensaios até ter coragem de me abordar. Diz que não teve dúvidas quando precisou decidir entre pular fora ou pular dentro. Que eu não preciso ter medo de ser machucada de novo. E fica tranquilo, eu quero o mesmo que tu. Um simples gostar.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Pensei ter te esquecido

Eu já deveria estar dormindo, mas o passado bateu na minha porta, e sem hesitar deixei ele entrar. Para minha surpresa eras tu, com a mesma cara de sono, voz rouca e charme irresistível. Começou a tocar aquela música que cantavas pra mim sorrindo, com olhar de paixão. Como se teu coração acelerasse por mim no mesmo ritmo do meu, como se tu me enxergasse melhor do que eu mesma. Lembrei de como eramos bons juntos, sempre nos divertíamos, nos entretínhamos, até nos momentos mais tediosos. Acreditei que seria apenas uma visita de boas lembranças, que não doeria, mas doeu. Doeu porque senti tua falta. E talvez ainda vá doer, afinal nosso fim foi meio assim, sem fim.

Sabe, foi um privilégio te ter ao meu lado, ter vivido tantos momentos felizes. ter essa história linda pra contar, apesar dos buracos pelo caminho. Mas eu te peço, não aparece de novo não. Me deixa aqui quietinha no meu canto. Já está difícil lidar com a loucura qual minha vida se tornou depois de ti, com minha mania de querer fazer um milhão de coisas ao mesmo tempo, com minha mente barulhenta, com os devaneios e com as tantas saudade que carrego. Se eu tiver que lidar com mais essa saudade, ah, meu bem, não sei se aguento. Não sei se seguro essa barra. Acho que vai ficar pesado pro meu frágil emocional.

Logo agora que segui em frente, deixei pra trás esse dolorido te querer. Me desarmei da proteção da qual dependia. Me acostumei a voltar pra casa sozinha. E confesso que até estou me deixando levar por novas paixões. Apesar de ainda não ter me deparado com nenhuma tão forte quanto foi a nossa. Logo agora que consegui respirar sem sentir uma pontada no peito, dormir sem sonhar com teu beijos e esfriar meu coração que andava pegando fogo. Logo agora, tu aparece, e sem rodeios, eu admito, ainda me balanças. Mas por favor, não aparece de novo não. Não vem com essa conversa de que sente minha falta, tu sabe que as chances de darmos certo são nulas. Tu sabe que não vai aguentar minha intensidade de novo e que dessa vez eu iria mais fundo.