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segunda-feira, 22 de maio de 2017

São tantos tons de azul



A culpa se alastra por meu corpo, segue martelando que eu deveria ter ouvido minha intuição, a qual gritou para que eu não me levantasse naquela manhã fria. A cada hora que se passa, diante de banalidades, situações levemente azaradas e reações exageradas, meu corpo se tensiona mais um pouco, minha face se esforça para não demonstrar o descontentamento mais um pouco e minha vontade de voltar para a cama aumenta mais um pouco.

Ainda não é meio-dia e já me sinto exausta, não por ter feito esforço físico ou mental, acabo de sair da aula que mais gosto no meu curso. Porém, não consegui absorver a aula, não consegui olhar com a admiração de antes para minha professora, não consegui conversar com meus colegas, não consegui dimensionar o esforço que estava fazendo. Era muito, tanto que não sobrou-me energias para manter-me em pé. Desabei ainda no estacionamento da faculdade, mesmo resistindo e buscando conter a angustia emaranhada na minha garganta.

Todos nós passamos por dias ruins, daqueles em que nos deitamos desejando que fosse um sonho. Meu dia acabou ali, cinco horas depois de ter acordado. Eu não fui fraca, eu não quis chamar atenção, eu não sou mimada, nem preguiçosa, e muito menos egoísta. Eu apenas estava cansada, emocionalmente, carregando o fardo de ser uma pessoa sensível e instável.

Em dias que pinto minha alma com tons azuis demais, me acanho demais, explodo demais e espero demais, vejo olhares de pena, repreensão e incompreensão. Falam-me que eu não deveria me sentir assim, que é errado ser como sou, que há maneiras mais sutis de levar a vida, há outras cores além do azul, que há belezas e maravilhas das quais estou me privando. Eu não os ouço, porque sei que não me ouvem. Eu não busco entende-los porque sei que não buscam me entender. 

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