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quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Amor de flor

Não sei que horas eram, não pensei em olhar, imaginei que ainda fosse madrugada. Estava tão escuro que eu mal conseguia enxergar, mesmo que meus olhos já estivem se acostumado a falta de luz, revirei na cama e lhe abracei. Seu corpo estava tão quente que eu precisei me destapar. Mas largar-lhe, isso eu não faria. Ele retribui o abraço me aninhando em seu peito, beijou o topo da minha cabeça e voltou a dormir. Eu, anestesiada por uma onde repentina de felicidade, não consegui voltar a dormir. Queria viver mil anos naquele momento, simples, mas profundo.

Os dias já foram nublados por aqui, tempestivos. Já doeu pra caralho. Já me alimentei de migalhas achando ser o suficiente pra me satisfazer. Já me enfiei em histórias sabendo que acabariam mal, só pela vontade vivê-las. Já sorri felicidade enquanto meu olhos berravam tristeza. Colecionei mergulhos onde a água dava no calcanhar. Aceitei atrasos, perdidos, grosserias. Já me senti forte usando armadura, sem saber o quão leve ficaria sem ela. Já me senti fraca por sentir demais. E depois de algumas cervejas, já falei em desistir do amor, jogar tudo pro alto. Sem saber me amar, já descuidei de mim. Já me vi como pedaços que precisavam ser juntados por alguém. Mas, ainda bem, já descobri que a cura pra toda essa dor é ser feliz sozinha, é gostar da própria companhia, do próprio corpo, da própria alma. Assim, comecei a aceitar apenas aqueles que me faziam bem, traziam amor de mais, jamais de menos.

Começou a amanhecer, a luz do sol entrava pelas frestas da janela e se desenhava no teto do quarto. Me acomodei novamente entre seus braços, de forma que eu enxergasse seu rosto. Seu semblante tranquilo me faz sorrir. Quero ficar ao teu lado. Não por carência, não por necessidade, jamais com sentimento de posse. Mas sim porque gosto de tua companhia, do teu cheiro, de tua risada estranha. Gosto das nossas conversas, nossa vontade de conhecer o mundo, nossa maneira de enxergar e nos expressar. Nos conhecemos em um momento ruim, vivemos momentos bons, fizemos do tempo nosso aliado, professor. Soubemos esperar, detectar o momento certo. Aquele onde nos transbordamos.





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