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sábado, 5 de março de 2016

Pequenos diabos

Fiquei observando-a enquanto falava, seus gestos delicados, sua risada alegre, seus olhos meigos. Ela parecia não fazer ideia do que dizia, incongruente e surreal, porém conseguia prender minha atenção. A música de fundo estava perfeita para a ocasião e realçava sua beleza calma e natural. A lua estava escondida no céu, mas não me importei, seu sorriso bastava. Os ponteiros do relógio corriam rápido demais enquanto esperávamos o sol, mas houve tempo suficiente para que eu me encantasse.

Ela fica facilmente entediada, tem crises de autoestima, geralmente se atrasa, mete os pés pelas mão, se joga e não sente medo do próximo passo. Ela prefere quebrar a cara a ver suas páginas vazias, sem aventuras malucas. E que me desculpem as santificadas cheias de boas maneiras, mas são dessas malucas que eu gosto. Alguém que menos julgue minhas sandices e mais acompanhe meus passos, pequenos diabos enviados à Terra encarregados de me enlouquecer de paixão.

Nada contra vocês mocinhas, mas como iriam entender meus desejos que queimam antes mesmo que eu consiga fazer algo para apaga-los? Em que ápice de loucura vocês iriam rir das minhas piadas sem graça e me enxergar com os olhos de quem corre na chuva e não fica esperando passar. Seria apenas mais uma daquelas tentativas frustadas de romance, que não pegam embalo, acabam cedo demais por não estremecer.

Sempre pertencerei a esses seres mágicos, iluminadores de alma, doidos de pedra. Seres que sabem lidar com meu lado mais obscuro e saber extrair o mais colorido. Brincam de seduzir e não reclamam da balada a noite inteira. E talvez tudo isso nem seja pré-requisito para os primeiros encontros. Mas é a seleção natural a longo prazo. Prova eliminatória para ganhar o troféu de bruxa. Fatias de loucura que sairão de nossas beiradas. E ela ganhou.

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