Páginas

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Desencontros que levam a encontros

Por tantas vezes dividi a cama com aqueles que não tinham acesso a minha alma. Só sabiam tirar-me os panos, mais nada. Nem se quer tinham curiosidade de saber o que estava acontecendo ali dentro, na minha cabeça. Eram momentos bons, mas superficiais. Percebi pelo meu sono ao lado daqueles corpos, era agitado. Acreditei que fosse culpa do tempo, talvez logo o interesse surgisse. Afinal, os deuses tem pena o suficiente de nós, seres carentes, para que esses encontros fossem uma casualidade, não significassem nada. É que quando me aperta os impulsos, eu vou. E sempre queremos achar um por quê, uma justificativa para nossos atos. A minha era a busca por alguém que enxergasse minha essência, nem que pra isso eu tivesse que me sujeitar a espera.

Eu estava certa, aqueles olhares retribuídos e conversas ao pé da cama não foram em vão. Serviram para que eu reconhece aquele que me abraça a alma. Aquele que me olha nos olhos e não vê apenas um vazio. Aquele com quem posso ser espontânea, não preciso segurar as rédeas. Para que eu soubesse aproveitar o prazer de um sono tranquilo, mesmo que sentindo a pele do outro. Para que eu notasse o jardim florido que pode crescer em mim.

A tendencia é que eu esconda qualquer afeto a sete chaves. Mas não dessa vez. Me sinto pronta para amar cada uma de suas piadas sem graça, e morrer de rir daquelas que nem tu te seguras. Viajar contigo em tuas reflexões que não fazem sentido, mas que eu entendo. Acompanhar teu ritmo interminável de assuntos, amar as trocas repentinas de tópicos. Acalmar tua ansiedade. Curtir tua preguiça. Ser empática. Absorver e novamente amar tuas histórias.

Me sinto pronta, pelo simples fato de que não preciso me aprontar, não preciso me esforçar. É natural. Talvez sempre exista a distância entre nós, mas também, a conexão. Tu sabes extrair o melhor de mim, sem que precises te mexer ou falar, apenas com teu olhar. Graças a ti, sei que não vou morrer sem saber como é ferver de paixão. Contigo, meu corpo não é a casa da minha alma, mas sim a própria. Meus olhos não são janelas, são história. Meu chorinho de angustia por estar chovendo se tornou vontade de se molhar. Ainda não entendi como, mas tu aguentou a maré de surtos que a minha condição maleável traz junto ao brilho de ser incansável.


Nenhum comentário:

Postar um comentário