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sábado, 12 de dezembro de 2015

Ocupada

Hoje acordei e vi uma mensagem tua, dizendo que estava com saudade, senti uma preguiça imensa de responder, revirei os olhos aborrecida e continuei meu dia como se não tivesse visto nada. O que será que ele quer agora? Ainda não se cansou desse brinquedo velho e surrado? Eu cansei. Tu insiste, me liga. Uma, duas, cinco vezes. Eu não atendo em nenhuma e nem pretendo atender. Deixo o celular longe, tocando, me transmitindo o quão indignado tu estás por eu não te dar atenção. Pensavas que brinquedo não tinha vida própria, não é? E por fim, durmo com um sorriso estampado no rosto, feliz por ter atropelado essa fase torta e incerta.

Quem sabe agora tu entendas minha aflição enquanto esperava tu vir falar comigo, só pra gente ter aquelas conversas boas e descontraídas, pra deixar meu dia mais leve. Tu tinha esse poder sobre mim, me deixar tranquila, sorridente. O problema era quando tu sumia, fugia, te escondia, e eu ficava feito garimpeiro em mina de ouro. Tu dizia estar ocupado, atolado, com os amigos, não tinha muito tempo pra mim. Eu estava sempre ocupada também, mas quando tu pedia eu dava um jeito, pra ti eu me desocupava, jogava tudo pra amanhã. Mas, pra amanhã, ficava mesmo era minha vontade de te ver.

Abri tua mensagem de novo e me senti ainda mais aborrecida. Olhei as cinco ligações perdidas, ri. Antes era eu quem te buscava desesperada. Te escrevi centenas de declarações de amor, e mesmo que nunca lidas por ninguém, todos sabiam que eu era louca por ti, estava estampado na minha cara, no jeito que te olhava. Acessava tuas redes sociais buscando alguma pista, mas só encontrava baboseiras ou alguma coisa que me deixava péssima. Te procurei em bares, ruas, redes. A verdade é que nunca nos achamos, um no outro, não reciprocamente.

Nos perdemos em outras bocas, outros bares, outras ruas. Estive descompensada tempo suficiente pra te esquecer, pra me livrar da bagunça que tu deixou em mim e acumular outras. Pra lembrar quem eu era antes de te conhecer, antes de sofrer por um carinho não retribuído. Eu era mais feliz, exatamente como estou agora, recuperada. Devolvi-me o tempo que desperdicei, cada minuto que joguei fora por ti. E é por isso que não te atendo. Não é vingança, nem proposital para que tu sintas o que senti. Só não quero reviver esse drama. Ando ocupada demais com a minha felicidade.



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