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quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Quem tem pressa, não perde tempo

Alguém segura essa garota. Não sei por que ela tem tanta pressa, conta os segundos como se fossem uma eternidade. Põe a chaleira no fogão e não sossega enquanto a água não borbulhar. Sente um peso nas costas ao protelar emoções. Talvez ela tenha medo de perder tempo, de ver que o relógio continua, os dias estão passando, sem que tenha aproveitado ao máximo. Como curtir o momento esperando a água ferver? Ela gosta quando já está quente. Quando não precisa ter paciência de monge, esperar horas, dias, meses, pode se despreocupar e jogar pra fora toda sua intensidade, aquele ser que ela guarda a quatro chaves, mas quer libertar.

Ela reconhece que vivemos num mundo caótico, onde mesmo que tu pises com cautela, podes acabar em algum buraco. Onde as pessoas são tão superficiais que se jogar de cabeça, é traumatismo craniano na certa. Não tem água o suficiente pra amortecer o pulo, nem ninguém de braços abertos pra te segurar. Onde relações se acabam num simples "não quero mais" pelo celular. Ou ainda pior, num sumiço sem explicação, sem nem um adeus. Onde quem tem pressa, come cru. E se bobear, até fica sem comida. Pois pode assusta-lá. Onde nos envolvemos tantas vezes com pessoas que nos machucam, que ficamos na defensiva, encostamos em um cantinho e deixamos que todas as outras passem. Onde a apalavra chave, rainha das relações, é o desapego.

Mas ela ignora essa triste realidade, essa história de desapegar. Isso não é pra ela. Ela gosta de sentir, de deixar que suas emoções toquem no fundo de sua alma. E enquanto tu te fechas pra qualquer sentimento, ela se abre. Ela confia, acredita, deixa que alguém cuide de seus machucados passados. Ela sabe que pode quebrar a cara novamente, mas tem pressa. Não espera que apareçam o defeitos, as fraquezas, as friezas e diferenças. Ela olha e sabe. Olha e sente. É assim, instantâneo. Forte. Sem receita. Ela sabe que o amor é desafio, que a pressa é inimiga e que reciprocidade é raridade. Mas também, que o amor é paz, a pressa é atitude e a reciprocidade, intensa. 

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