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sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Deixa eu te fotografar

Se for pra ser assim, pela metade, qual é a graça? Cadê o tremelique nas pernas? Cadê o frio na barriga? Um romance sem aquela paixão devastadora que deixa qualquer um fora de si não me atrai nadinha. Estou começando a me entediar com a tua falta de emoção. Preferes ficar aí no morno, sentado sozinho no sofá. Saíste com teus amigos tentando preencher esse buraco que te consome, mas só conseguistes algumas risadas. Se for pra ser assim, sem filme na sexta, sem porres no sábado, sem pôr do sol no domingo, sem chimarrão em dia frio, sem conversa banal, sem aquela vontade incontrolável de se ver e sem saudade imensa durante a semana, eu não quero.

Me dá beijo na testa, passa a mão no meu cabelo, segura firme meu rosto, me beija de leve, me beija feroz, me beija de todas as formas. Faz uma surpresa, chega aqui sem avisar, traz uma flor, nem que seja arrancada do meu jardim. Escolhe um filme, põe uma música. Me abraça, com os braços, com o corpo inteiro, com a alma. Junta meus pedaços, pede um dengo, faz um cafuné. Faz aquele carinho que eu adoro, sabe? Aquele que tu passa os dedos de levinho nas minhas costas. Me chama pra jantar, pra conversar, pra ir naquela festa, naquele bar. Vamos dançar, se encostar, transpirar. Me chama pra curtir o barulho da chuva, na cama mesmo, se enrolando nos lençóis. Diz que sou linda, que me acha gostosa, que esta louco para chegar em casa. Traz cerveja em dia quente, não esquece o vinho em dia frio. Eu sei que tu já falou, mas da pra dizer de novo que me quer?

Faz caretas, fala bobagens, me fazer rir. Deixa eu tentar fujir, mas vai atrás de mim. Dorme no meu colo, no meu abraço, na minha cama. Bagunça meu cabelo, me amassa, me revira. Jogar as cobertas pro lado, aqui faz calor. Me ensina a jogar baralho. Hoje vou cozinhar pra nós. Presta atenção nessa música. Lê meu texto, meu poema, minha frase, meu olhar. Me mostra mais, me deixa te ouvir, te provocar, te cuidar, te amar. Me deixa te fotografar, tu é tão lindo, quero gravar pra sempre esse sorriso. Me deixa te sujar de batom, de suor, de tinta. Me deixa ler teus livros, eles já estão empoeirados nessa estante. Perde teu tempo, tenta me ganhar. Sente ciúme. Inventa um apelido. Se declara. Me tira desse tédio. Porque assim, do jeito que está, eu não quero.



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