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quarta-feira, 24 de junho de 2015

Ela, assim.

Ela me contou que pinta a unha com tons escuros porque a tinta do seu cabelo mancha os tons claros, e detesta aquele vermelho ofuscante que tantas mulheres amam, porém, gosta quando não se preocupa em pintá-las. Fala dos seus seriados favoritos com a animação de um criança que fala sobre seu brinquedo novo. Ela tem um vestido de tricô, dorme cedo e adora tomar chá. Nos dias frios, seu pés e mãos não esquentam, não importa o que ela faça. Usa os palavrões para extravasar a raiva e ri até das piadas mais sem graça. Ela não gosta de se atrasar, deixar alguém esperando, nem esperar. Ela bebe chop em canecões que mal consegue segurar e cerveja, até na lata, a deixa feliz. Se derrete pelos românticos de plantão, por qualquer pequeno gesto de carinho. Percebi que ela acorda, se aconchega ainda mais na cama, pensa em como será seu e dia, para só depois se levantar. Não se importa com o humor do cabelo, raramente o penteia. Suspira pelo cheirinho de café passado que inunda a cozinha, do mesmo jeito que suspira pelo meu perfume. Ela lambe o potinho do iogurt, se lambuza e ri de si.

Gosta de conversar, falar sobre o tempo, sobre filmes, guerras e até sobre alguma nova lei ridícula que foi aprovada ou está em pauta. Ela gosta de MPB e ri quando tento cantar Caetano. Mas presta atenção nas minhas histórias com os ouvidos, os olhos, o boca e pelos da nuca. Tão estranha. Ela corta o cabelo de acordo com as fases da lua, me contou como energiza sua ametista no luar e mostrou a pedra presa no pescoço. Lê livros aleatórios e alguns que acha essencial. Chora e chega a soluçar assistindo os filmes de drama que tanto gosta. Não sabe as funcionalidades do celular, se atrapalha e pede ajuda até para tirar uma screenshot. Ela não sabe ignorar mensagens e odeia esperar pelas respostas. Gosta de usar apenas batom e rímel, as outras maquiagem ficam apenas acumulando pó em um cantinho do guarda-roupa. Ela é uma fruta sem casca, não esconde o que tem por dentro, transparece o que pensa, não guarda palavras. E a cada dia ela vai tentando se soltar das amarras da vida, tentando enxergar tudo a sua volta com outros olhos. Ela riu com o cantinho da boca e perguntou se eu fumo. Disse que queria alguém para dividir seus brownies, mas não se importa de devorar tudo sozinha mesmo. Ela é sua melhor companhia.


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