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segunda-feira, 15 de junho de 2015

Carta Aberta

Obrigada por sempre deixar que eu andasse pelas minhas próprias pernas e pelos meus próprios caminhos. Mesmo com o coração apertado de preocupação, deste todas as instruções possíveis e deixaste que eu fosse, me transformado em uma pessoa independente e com sede da vida. Sei que não é fácil assistir meus erros. Obrigada por me ensinar que ser educada e gentil não é uma obrigação, mas uma virtude. Sorrisos e abraços podem mudar o dia de alguém. E arrogância não nos leva muito longe, apenas o suficiente para tombarmos feio. Obrigada por nunca ter dito que eu não sou capaz, e pelo contrário, ter mostrado minha força e incentivado meus sonhos. Por deixar que eu fizesse Street Dance sem dizer que era coisa de menino, jamais me senti inferior aos rapazes durante as aulas. Por me obrigar a iniciar o curso de inglês, hoje, com ele já concluído, eu vejo o valor que teve. Não foi apenas uma nova língua aprendida, foi uma experiência.

Obrigada por nunca ter me fantasiado de princesa ou de super-heroína, mas sim de mulheres reais, seja nas festas ou no dia a dia. Deixavas que eu lesse contos de fadas, mas jamais falaste que aquilo existia. O mundo não poupa as princesas, esperar o príncipe encantado é perda de tempo. E a síndrome da Mulher-maravilha me faria um grande mal, afinal, mesmo sem ele, às vezes eu quero abraçar o mundo. Obrigada por ter me presenteado com mais livros do que bonecas, e levado a mais bibliotecas do que a parques de diversão, despertando em mim o gosto pelas palavras e pelo conhecimento. Meu pedido mais frequente ao assoprar as velinhas, era ser uma mulher inteligente. Obrigada por não ocultar as durezas da vida, e ainda assim, querer me levar ao pediatra aos dezoito anos. Por me ensinar a cozinhar, mostrar o prazer envolvido no preparo de uma refeição, que deve sempre ser feita com muito carinho. E assim não dependo de fast-food, nem de restaurantes, nem aquelas terríveis comidas enlatadas.

Obrigada por dizer que sou linda e que devo acreditar fielmente nisso, aceitar que eu brinque com a minha aparência fazendo tatuagens e pintando o cabelo, afinal esta é uma casca temporária para a alma. Mas jamais sustentaste minhas vaidades, e assim me fizeste desgostar das futilidades. Obrigada por me mostrar a importância das responsabilidades e como eu deveria lidar com elas, por me encorajar cada vez que penso em desistir, por ser uma mãe carinhosa e amiga, por mandar que eu fosse à aula naquele dia de preguiça e enxugar todas as minhas lágrimas. Obrigada por sonhar comigo, por dizer que aquele machucado logo passaria e que tudo daria certo. Obrigada por me ajudar nessa longa estrada. E por mais distraída, calma e paciente que sejas, mostraste que nada se ganha sentada, a vida é uma batalha. Obrigada por me ensinar a não gastar energia em coisas desnecessárias, e principalmente, com pessoas que não merecem meu esforço. Obrigada por me moldar mulher, e não garotinha.


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