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segunda-feira, 25 de maio de 2015

Sr. Risonho

Ele não é bonito, não manda flores, nem me diz palavras de carinho. Ele tem dor de cabeça, rotina estressante e sempre carrega consigo algum machucado. Desastrado. Ele não é fotogênico e sempre se veste da mesma forma. Ele não bebe cerveja, mas derramaria sangue por um copo de refrigerante. Ele gosta de Mc Donalds e de dizer que como pouco. Ele leva sua liberdade muito a sério e sente um profundo desconforto ao notar que ela pode estar comprometida. Se apegar é um pesadelo. Ele está sempre ocupado, ou procurando ocupações, mesmo dizendo gostar de não fazer nada. Ele não come salada e faz cara de nojo para as minhas comidas saudáveis. Ele diz que quanto mais me conhece, mais me acha maluca. Ele gosta de viajar, mas raramente o faz. Ele difama o antigo relacionamento, enaltece a si e não se importa com seus defeitos. Ele preenche a solidão com trabalho excessivo, superficialidades e encontros nunca sequenciados. Qualquer coisa, desde que não seja amor. Ele não gosta quando vejo sua alma, o descrevo sem medo de errar -inclusive vai odiar esse texto, se o ler-. Ele sente falta das nossas conversas, nossos beijos, meu olhar. Ele quer me procurar, mas lhe falta coragem, ou apenas atitude. Ele tem uma visão errada de mim e não entende o que eu quero. Ele parece ter medo de mim, como se eu fosse lhe pôr uma coleira.

Por que diabos, então, eu sou apaixonada por ele? Ele tem bom humor, sorriso largo e riso frouxo. Arranca de mim gargalhadas. Sem esforço. É a sua alegria que me deixa zonza, me inunda com a vontade de abraçá-lo, me faz esquecer qualquer um de seus defeitos. Nosso toque tem energia, nossa conversa flui, nosso corpo se entende. Admiro seu jeito extrovertido, como ele trata bem os garções. Sua vontade de fazer as pessoas rirem. Ele tem os olhos vazios, mas a alma cheia.

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