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segunda-feira, 18 de maio de 2015

Sem medos

A palavra "medo" se faz pouco presente na minha vida. Não tenho medo de mudanças, desde as mais pequenas até as decisivas. Já morei em muitas cidades e não pestanejava ao saber que teria uma nova vida, com novos amigos, escolas, vizinhos, ruas, bibliotecas - meu lugar preferido na infância-. Na verdade sempre tive sede de novos lugares e experiências, sem dificuldade de deixar algo para trás, desapegar. Nunca tive receios com os cortes e pinturas no meu cabelo, principalmente curtos, pintei de colorido na primeira oportunidade, voltei ao natural, pintei de novo, mesmo com as constantes reprovações, avisos, vais ficar careca. Gosto de dormir no escuro, ver filmes de terror, apesar dos sustos frequentes. Já pensei em muitos cursos acadêmicos, mas quando precisei decidir, escolhi corajosa, e não me importo se lá no meio eu perceber que nasci para outra coisa. Mudo de ideia sempre que a antiga se mostra falha. São raras as dúvidas que me estacam, são poucos os momentos que mostro fraqueza de espirito. Arrisco-me e até gosto daquele friozinho na barriga que alguns medos - ou o puro nervosismo - me oferece.

Quando penso em ti, porém, fico pálida. Fujo de qualquer fagulha de sentimento mais intenso do que atração. Gelo ao notar que fico boba ao teu lado, encarando teus gestos, analisando tuas palavras, sorrindo demais. Tremo ao pensar que posso ter parecido ridícula. Nunca tive a mania de roer as unhas, mas finjo ter ao pensar que tu podes te tornar o tipo de cara que eu sempre detestei. Que tu saia correndo. Que sintas mais do que eu, medo desse caminho difuso. Que te assustes com minha sinceridade e impulsividade. Te apavores com as minhas loucuras e instabilidades. E diferente dos medos que eu passo por cima, esse eu engulo, sinto o gosto e me tranquilizo. Não tenho medo de me envolver.





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