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quarta-feira, 6 de maio de 2015

Não te demores aqui

És um cara legal, legitimo cavalheiro, com pose de bom moço. Mas assim, todo certinho, tu não me passa excitação, apenas tédio. De cara fechada, tu sorri quando me olha e tenta começar uma conversa que nunca se mantém, acabamos sempre calados, olhando para os lados e implorando ajuda aos amigos. Não possuímos os mesmos gostos. Não vejo em ti a alegria que tanto admiro e procuro nas pessoas, vejo insegurança de ser quem realmente é. Nem ao menos tive vontade de fazer teu mapa astral. Não tenho nenhum interesse por tua aura de soldado, essa que o exercito moldou, me arrepio de medo em pensar na lavagem cerebral que podes me causar caso eu de abertura para as tuas falas. Sabe, eu até gostaria de ser o tipo de garota que enlouquece ao ver um homem fardado cheio de postura. Mas eu pertenço aos "bon vivant". Não tenho o dedo podre, mas sim a mão inteira. Tu és príncipe, eu quero lobo mau. Eu gosto dos malucos, viciosos, desses que veem maravilhas em tudo, riem da própria desgraça, me abraçam apertado e demoram pra soltar, fazem piadas inovadoras sobre o meu cabelo, não clichês. Que vão se mostrar perdidos por mim. Me derreto por uma barba mau feita, um cabelo desgrenhado. Pertenço aos que me pegam pela cintura, não pela mão. Aqueles que conversam sobre filosofia, sobre a sociedade ou qualquer assunto banal, mas que rende, me prende por horas. Não consigo me apaixonar por ti, cara que gosta de joguinhos, que faz a linha blasé. Eu me apaixono é pelos intensos.
Por favor, não me de bom dia sorrindo, não puxe uma conversa casual, não me convide para ir ao cinema - eu não vou aceitar, nem na próxima - , esconda esse interesse escancarado, não insista nessa perda de tempo. Eu não quero ser rude contigo. Então, não te demores aqui. Te afasta, como quem fareja perigo. Assimile as milhares de desculpas que já formulei diante das tuas investidas. Vai logo, procura alguém que veja em ti um final feliz.

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