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quinta-feira, 3 de março de 2011

Calada.

As palavras se trancam em minha garganta, sem conseguir sair elas vão se multiplicando, tornando tudo cada vez mais insuportável. Me sinto um gato engasgado com mais uma de suas bolas de pelo. Gostaria de soltar essa letras que silenciosamente lutam para serem berradas. Gritos, aguniosos gritos, dentro da minha mente. E a grandiosa dádiva que poder falar aquilo que se está pensando, vai indo embora junto com os anos que passam. Afinal, a fofíssima criança pode falar qualquer absurdo, por mais constrangedor que seja para os pais ou para as pessoas em volta, pois ela não sabe o que está falando -mesmo muitas vezes sabendo- e todos acham que é apenas uma coisa que ela ouviu por aí e está repetindo como um papaguaio mal-criado; mas quando você atinge certa idade, tem que pensar muitas vezes no que vai falar. Você começa a se preocupar com o que vão pensar sobre aquilo que você acabou de dizer, se preocupa se vai magoar ou irritar alguém, existem milhares de fatores que te obrigam a ficar calada. Que te obrigam a escutar baboseiras enquanto você apenas caretas pode fazer e muitas vezes, nem as instigáveis caretas.
Quando eu poderei falar, gritar, perder a voz com tudo aquilo que está aqui, preso? Nessa gaiola cruel.

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