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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

A solidão já não é minha inimiga.

A cada dia que passa, vou tentando me encontrar e me perco. Imagino as mais diversas maneiras. Muitos pensam que a solidão é motivo de dor, é sinônimo de sofrimento, prefiro pensar que é apenas uma porta na qual, quando entro, me conheço cada vez mais. O silêncio já me agrada. O vazio já me cativa. Estou me acostumando com o que muitos detestam. Estou me adaptando a um mundo só meu. Minha mente não é mais a mesma. Meu coração, então perdido nos sentimentos, se conscientiza de não conseguir quem quer e o que quer com este certo "quem". Vou mergulhando num mar de decepções e isso já não me machuca mais. Percebo que a solidão não é tão ruim, como dizem ser. Na hora de pensar, o barulho me atrapalha. Chego então, na mesma conclusão de Kierkegaard que diz "Na multidão está a inverdade". Realmente, aquilo que todos dizem ser verdade, para mim, não passa de mentira. Não passa de uma falta de opinião que me repugna, uma ilusão. Me vejo sentada na cama, lendo loucamente. Me vejo articulando movimentos, falando sozinha, inventando momentos. Sabendo que nunca iram existir. Me dou conta que passo a mais parte do meu tempo sozinha. O resto do tempo, passo com alguma amiga, ultimamente com uma especifica amiga que a pouco tempo eu não imaginaria que nós iríamos alguma dia sair sozinhas, só nós e o vento. Incrível como me surpreendo a cada dia mais. E lembro a mim mesma, essa solidão não é de amizade, pois amizade, eu tenho algumas, pouquíssimas, mas tenho. Essa solidão, é de amor ou até mesmo uma paixãosinha boba. Estou andando, sem rumo e sem pressa, de repente fico eufórica. Vontade de correr, gritar, extravassar tudo que tem dentro de mim. Mas não tem nada lá, só um buraco, um vazio. A quem estou enganando? Estou me enganando. E é isso que quero por para fora, esse vazio, ou melhor, por para fora não, quero preenchê-lo  e sei de que. Mas continuo afirmando, a solidão não é ruim, estou gostando dela e me acostumando com ela, digo até que estou aproveitando meus momentos com ela. Mas não sei se o momento certo para te-la, não a acredito que seja o momento certo para refletir tanto. O que sei é que quero abrir a porta do meu inconsciente, transformá-lo em consciente e saber exatamente o que reprimo e nem percebo. Quem sabe, eu não sonho acordada. A idéia me amedronta, mas me fascina ao mesmo tempo. Só que a única maneira de abrir essa grandiosa porta do inconsciente é estando sozinha. É possível querer muito duas coisas, coisas impossíveis de acontecerem juntas? Querer, é possível. Acontecer, só me resta acreditar. Alguma frases vão me cortando, como uma navalha, me fazendo sangrar e até me afogar no meu próprio sangue. Seria sensato dizer que ele sabe? Seria sensato dizer que ele sente o mesmo? Mesmo sem que ele tenha dito? Não, mas...
Eu penso, imagino.

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