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domingo, 12 de dezembro de 2010

O Castelo.

Olhos fechados, mente inquieta. Fico imaginando diálogos, situações, movimentos.
Lembro de seu sorriso e não consigo conter o meu. Como se eu fechasse os olhos e as palavras começassem a se interligar, formando frases ao vento.
Purpurinas malignas, trono da dor. Naquele majestoso castelo de sentimentos.
E a bela porta de vidro, chamada amor, desaba, se faz em mil pedaços. Estilhaça no chão.
É assim, intenso, esse desejo frenético de te dizer o que penso, sem pensar nas consequências. Sem nem entender minhas próprias palavras.
Você consegue soltar as criaturas inocentes do calabouço. Criaturas que lá eu prendi, para que não me fizessem sentir.
Você faz as janelas do riso e do choro, se abrirem juntamente. Isso não é comum. Parece impossível aos outros, que já tentaram e não conseguiram.
Misturo tudo, me perco. Embrulho no estômago, mal-estar, nojo.
Este teu jeito de puxar as cortinas, de olhar à vista da janela aberta, de abrir as portas e portões. Me fascina, me encanta.
Me sinto eufórica, vontade de gritar através de qualquer brecha encontrada no castelo, de correr pelo jardim e atravessar o muro, como se ele nem existisse.
Não consigo me calar nem me conter, atos impulsivos se tornam constantes.
Pensamentos embaralhados, escritos em papeis, em cima da mesa da confusão.
Tudo permanece assim, sem nexo, com o arrependimento por ter feito ou dito algo; ou ao contrario; por não ter feito ou dito algo.
Malditas palavras que pronunciei, ou no esquecimento deixei. Malditos movimentos que forcei, para que a porta não abrisse. No final, resultados não tive. Fui fraca demais.
E o buraco no jardim da decepção vai se alastrando, se aprofundando. Nem as lágrimas o preenche mais, ele apenas as absorve e deixa a terra mais sensível para que fique mais fácil cair lá. Fundo, vazio, doloroso e escuro.
E entre suas paredes, é como se existissem navalhas. Me cortando, me fazendo sangrar.
Consigo sair buraco, machucada, mas viva. Corro pelos corredores do castelo, me perco, não sei dizer se estou no quarto do ódio, ou no quarto da ilusão.
Apenas vejo seu retrato, um em cada cômodo. Tiro sua imagem da moldura, tento rasgá-la.
Impossível, não rasga, não quebra, não amassa.
Subo na torre mais alta, a torre dos sonhos, olho para o horizonte e vejo um lindo céu. Parece que nada é impossível, nem voar. Mas não me arrisco, por enquanto.
Perto, tem a sala da frustração, onde as estantes da vingança guardam o rancor. Dificilmente vou lá, não há muita necessidade. Mas sim, já me encontrei vasculhando aquelas estantes.
E agora me encontro no escritório da imaginação, tentando expressar o que sinto.
Os outros lugares do castelo, com o tempo vão se mostrando, sem que eu tenha que expor-los agora.

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