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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

A Noite da Euforia.

Deitada, pouco apreensiva pelo que estava por vir, calma. Achando que ia dar tempo e sobrar tempo. Faz isso, faz aquilo. Na maior tranquilidade, até que, olha a hora. Em um piscar de olhos a calma foi embora, deixando ali, apenas a pressa. Pega isso, guarda aquilo.
-Está faltando algo?
-Não, está tudo aí.
-Tem certeza?
- Não.
E a pressa te faz esquecer coisas. Subi, percebi que havia esquecido algo, desci. Subi novamente, percebi que novamente havia esquecido algo, mas não desci. Sobrevivo sem. Insegurança, mas ao mesmo tempo, despreocupação. Mãos e pés inquietos. O nervosismo se entranhou em cada veia, em cada célula. Imensa vontade de gritar, de não parar de falar, de chorar. Andar pra lá, andar pra cá.
Uma responsabilidade imposta a mim, que eu não sabia se tinha forças para carregar. Mesmo assim arrisquei.
Corpo tremulo, suor, falta de ar, calor. Mãos congelando. Sem conseguir prestar muita atenção. Tudo acontecia rápido demais.
Levantei, pernas bambas. Caminhando lentamente para mim, rapidamente para eles. Cabeça baixa, tentei não olhar para os lados, com medo de ver risos e cochichos. Um degrau, dois degraus. Consegui, levantei a cabeça e continuei. Percebi que não havia motivos para abaixá-la. Aplausos. Teria sido por educação ou eu realmente mereci?
Acho que foi educação, mas isso pouco importa. Minha felicidade por ter conseguido estava óbvia. Mas o nervosismo não acabou. A parte principal estava preste a chegar.
Chegou. Cadê o ar? Cadê o chão? Começo a falar. Falo uma palavra e já esqueço a anterior.
Repetindo frases, nem eu me entendia. Branco, preto. Não sei mais como soltar a voz, não sei mais como pronunciar uma palavra. Todos olhando, esperando uma acção. Nada. Suor denso, palpitação acelerada. Pense rápido, pense muito rápido. A única solução encontrada foi ler. Desamasse a folha. Vamos. Olhe as palavras ali escritas e leia com calma. Com calma, Amanda. As palavras estão se embaralhando, não consigo lê-las, não consigo entendê-las. Uma por uma. Vou lendo, tentando não gaguejar. Olhavam-me sérios, como se eu estive falando bobagens. Vontade de correr, sumir. Ponto, acabou. Finalmente a calma volta. Vou caminhando e encontro baços abertos para um abraço apertado. Uma lágrima cai. Aplausos no lugar das vaias. Alívio. Apesar do escândalo, estava feliz por ter acabado bem. Sorrisos, abraços, fotos. Recordação, lembranças. Momento alegre depois de muita aflição. Parabéns daqui, parabéns dali. Parabéns pelo que? Por ter travado, por ter falado, por ter se formado. E para ajudar, alguém que adora me por para baixo, começa a falar comigo. Coisas que eu preferia não ter ouvido. Mas quem tem um bom inimigo, sempre tem um bom amigo.Aquele rostinho de anjo, me diz coisas agradáveis, me faz rir e brincar. Faz-me acreditar. E de anjo, só o rostinho mesmo. Momentos intensos vividos em instantes, depois só as lembranças. Lembranças que guardarei com todo o carinho.

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